quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os Barbeiros-cirurgiões na Arte

Durante a idade média, a cirurgia foi pouco beneficiada pelos progressos da anatomia. Os cirurgiões ainda eram considerados inferiores e, por conseguinte, mal remunerados. Nos séculos XVI e XVII, eram os barbeiros-cirurgiões - barbeiros que atuavam como médicos - que exerciam toda a prática manual da medicina através de pequenas cirurgias. Os profissionais desta área pertenciam a uma classe desprestigiada, cujo trabalho era basicamente mecânico, sem preparação científica. Somente em 1686, após a recuperação de Luís XIV de uma fístula anal crônica, nas mãos do cirurgião Félix, é que a prática cirúrgica provou ser nobre e rentável.

Uma gravura satírica, datada de 1570, demonstra bem a imagem que o público possuía dos barbeiros-cirurgiões, nela aparecem macacos utilizando os instrumentos dos barbeiros para tirar sangue, extrair dentes e cortar cabelos:

Isaac Koedyck (1616 -1677), sensibilizado com as críticas dirigidas a quem tratava dos humildes camponeses, documentou em sua obra a figura do barbeiro-cirurgião. Em duas de suas pinturas, eles aparecem trabalhando cuidadosamente nos pacientes:

O Barbeiro Cirurgião, Isaac Koedyck, 1647.

Um Cirurgião Barbeiro Cuidando do Pé de um Camponês, Isaac Koedyck, 1650.


Na literatura: Em “O Físico - A epopéia de um médico medieval”, Noah Gordon traz-nos um barbeiro cirurgião como personagem de sua obra magna. Barber, um homem amoral a viajar pelas cidades da Inglaterra, prometia cura para as enfermidades, vendendo seu específico: um xarope para quase todas as doenças. O velho barbeiro cirurgião ensinou muitas coisas a Rob, protagonista do livro que algum tempo depois viria a ser médico. Desde a arte do malabarismo até o método cirúrgico.

REFERÊNCIAS:
FIGUEIREDO, B. G.: ‘Barbeiros e cirurgiões: atuação dos práticos ao longo do século XIX’. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, VI(2): 277-91, jul.-out. 1999.
MARGOTTA, R. "História Ilustrada da Medicina" Editora Manole - São Paulo, 1998

2 comentários: