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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade em "Os Simpsons"

O segundo episódio da décima primeira temporada do seriado “Os Simpsons”, exibido em 2011, mostra o personagem Bart como portador do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

O transtorno se caracteriza por frequente comportamento de desatenção, inquietude e impulsividade, em pelo menos três contextos diferentes.

Confira:



O grande número de indivíduos submetidos a farmacoterapia devido ao eventual diagnóstico de TDAH para justificar o mau desempenho escolar geram controvérsias desde a década de 1970.

O episódio, enfocando nos efeitos colaterais de uma medicação que controlaria o comportamento (“Fucosyn” - provavelmente um derivado anfetamínico), faz uma crítica à banalização da medicalização. O personagem desenvolve uma psicose anfetamínica, efeito adverso não raro de uso de drogas como a dextroanfetamina – medicamento que reduziria sintomas do TDAH, manifestada prioritariamente por delírios persecutórios.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Bob Esponja e a Síndrome de Williams

A Síndrome de Williams-Beuren, descrita pela primeira vez em 1961 pelo cardiologista neozelandês John Williams, é uma desordem genética rara caracterizada por uma facilidade de relacionamento interpessoal acima da média.

Os indivíduos portadores da síndrome são excepcionalmente simpáticos, apresentam gosto exacerbado por música e, ao comunicar-se, exageram nas expressões faciais e gestos, tendendo a utilizar uma linguagem rica, com termos incomuns, ritmo exagerado e intensidade emocional.

Fenotipicamente, apresentam aparência distinta, com face “élfica”: nariz pequeno e empinado, íris azul, lábios proeminentes, boca entreaberta, dentição pouco desenvolvida e sorriso freqüente.

SpongeBob SquarePants (no Brasil, Bob Esponja Calça Quadrada) é uma série de televisão americana de desenho animado criada pelo biólogo marinho e animador Stephen Hillenburg.

Bob Esponja

Não somente a personalidade, mas também a face do personagem Bob Esponja é parecida com a dos portadores da Síndrome de Williams, com grandes íris azuis, um nariz curto, grosso e arrebitado, uma grande boca contendo poucos e proeminentes dentes.

As semelhanças não param por aí! Bob Esponja é considerado um cantor fantástico, utilizando muitas vezes seu nariz como uma flauta, no que é muito bom.


Analogamente, as crianças com síndrome de Williams possuem habilidades musicais, com facilidade para aprender rimas e canções, demonstrando muita sensibilidade sonora e concomitantemente boa memória auditiva.

Apresentando incoodenação motora, Bob tem sérios problemas com direção, continuando por isso a frequentar as aulas de direção da Senhorita Puff (instrutora da auto escola que Bob estuda).


Também as vítimas da síndrome, por consequência de atraso psicomotor, frequentemente tem problemas de coordenação e equilíbrio.

Embora normalmente visto (principalmente por Lula Molusco) como infantil e estúpido, Bob Esponja é um personagem enérgico, otimista, autoconfiante, determinado, dramático, bondoso e inocente.

REFERÊNCIAS:
Personagens de desenho com transtornos psiquiátricos.
Wikipedia: Bob Esponja
Wikipedia: Síndrome de Williams

sábado, 4 de agosto de 2012

Paralisia Cerebral por Sofrimento Fetal na obra de Shakespeare

William Little (1810-1894), sofrendo das sequelas de uma poliomielite que lhe paralisara a perna esquerda, estudou Medicina acreditando que assim poderia tratar-se e curar-se. Anos depois, ao tornar-se especialista em cirurgia ortopédica, sustentava a possibilidade de descrever a etiologia dos transtornos motores cerebrais em crianças.

Não encontrando trabalhos científicos anteriores em que basear-se, recorreu a William Shakespeare (1564-1616).


Veio-lhe então à memória um fragmento de A Tragédia de Ricardo III (1593), onde o personagem Ricardo profere sua deficiência física e dificuldade de marcha, em associação com antecedentes de asfixia perinatal e prematuridade:

Eu, que privado sou da harmoniosa proporção, erro de formação, obra da natureza enganadora, disforme, inacabado, lançado antes de tempo para este mundo que respira, quando muito meio feito e de tal modo imperfeito e tão fora de estação que os cães me ladram quando passo, coxeando, perto deles. (Ato I, cena: I)

Também na obra, Lady Anne, viúva do príncipe de Gales, assim amaldiçoou Ricardo:

Se alguma vez tiver um filho, que nasça malformado, estranho, fora do tempo, que o seu aspecto feio e monstruoso assuste a esperançosa mãe, quando o vir; e que lhe herde a desventura. (Ato I, cena: II).

Segundo o poeta, o nascimento “fora do tempo” ocasionaria uma condição defeituosa também no filho do prematuro Ricardo.

Valorizando a descrição de Shakespeare, Little relacionou as complicações obstétricas – principalmente relacionadas à prematuridade – ao déficit de desenvolvimento motor em crianças. O cirurgião passou a observar a frequência dos problemas perinatais, postulando que os defeitos motores dependiam de maneira direta de dificuldades no momento do parto.

Em 1843, o cirurgião sugeriu à comunidade científica que havia uma associação entre a paralisia cerebral e a anoxia neonatal. Seus primeiros artigos aceitos pela Lancet, em 1844 e 1861, descreviam suas observações sobre um grupo de crianças com anormalidades do tônus muscular e desenvolvimento, além de versar sobre a rigidez espástica das extremidades nos neonatos. Muitas destas crianças, de fato, tinham antecedentes de complicações no parto.

O ponto alto foi o artigo publicado em 1862 “Da influência do parto normal, dificuldades do parto, parto prematuro e asfixias do neonato e sobre o estado mental e físico da criança, principalmente no concernente a deformidades”.


Little ocupou-se intensamente com o estudo da espasticidade, descrevendo pela primeira vez o que hoje chamamos de paralisia cerebral, na forma de diplegia espastica, que passou a chamar-se doença de Little.

A partir daí, o transtorno motor por lesão cerebral foi doença com que se ocuparam neurologistas e ortopedistas, a fim de melhorar as possibilidades cirúrgicas indicadas por Little.

Freud, após conhecer o trabalho de Little, descreveu em várias monografias a diplegia espástica, entretanto, especulou que as dificuldades perinatais eram resultados de anormalidades preexistentes no feto. O pai da psicanálise foi quem sugeriu, em 1897, a expressão "paralisia cerebral".

Define-se como Paralisia Cerebral (PC) um déficit motor central não progressivo que se origina em eventos nos períodos pré-natal ou perinatal. O mais comum evento etiológico é a anoxia cerebral; Outra causa comum seria o trauma mecânico cerebral ao nascimento. A forma espástica (cuja lesão é localizada no trato piramidal), é encontrada em 88% dos casos.

A PC classifica-se, pela topografia da lesão, como tetraplegia, monoplegia, diplegia e hemiplegia. Flexão e rotação interna dos quadris, flexão dos joelhos e equinismo são as deformidades mais freqüentes nas crianças que adquirem marcha. Quando a adução dos quadris é acentuada, conduz ao cruzamento das pernas (pernas em tesoura). Os reflexos tendinosos são ativos, às vezes com um prolongado clonus do pé. São comuns a contratura dos tendões dos calcanhares, limitações dos quadris em abdução e rotação externa, e limitação dos antebraços em extensão e supinação.

Atualmente, sabe-se que quando a lesão causadora da PC atinge a porção do trato piramidal responsável pelos movimentos das pernas, localizada em uma área mais próxima dos ventrículos, a forma clínica é a diplegia espástica (doença de Little), na qual o envolvimento dos membros inferiores é maior do que dos membros superiores. A região periventricular é muito vascularizada e os prematuros, por causa da imaturidade cerebral, com muita frequência apresentam hemorragia nesta área.

Desprovido de embasamento científico, mas empregando seu transcendente poder observacional, Shakespeare foi quem primeiramente associou o déficit motor às condições de nascimento.

REFERÊNCIAS:
1.LEITE, J. PRADO, G. “Paralisia cerebral Aspectos Fisioterapêuticos e Clínicos”. Revista neurociências. Volume 12 - n°1 – 2004.
2.Muzaber, F.L. Schapira, I. “PARÁLISIS CEREBRAL Y EL CONCEPTO BOBATH DE NEURODESARROLLO”. Rev. Hosp. Mat. Inf. Ramón Sardá 1998, vol. 17, Nº 2.
3.Flehmig, Inge. “Texto e atlas do desenvolvimento normal e seus desvios no lactente: diagnóstico e tratamento precoce do nascimento até o 18 mês”. São Paulo: editora Atheneu,2000.
4. Paralisia Cerebral: Rede SARAH de Hospitais de Reabilitação.: http://www.sarah.br/paginas/doencas/po/p_01_paralisia_cerebral.htm

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"O Médico", por Rubem Alves

O curta-metragem abaixo traz a adaptação de uma crônica extraída do livro O Médico, de autoria de Rubem Alves, onde o escritor interpreta poeticamente a pintura O Doutor, de Samuel Luke Fildes, valorizando a influência que possuem os profissionais da Medicina sobre a vida das pessoas:


O Médico é um vídeo produzido em parceira entre o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRMPR).

Veja também: "O Doutor" - Samuel Luke Filds

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Mãe com Criança Enferma" / Pablo Picasso

Em toda a história da arte, talvez nenhum conjunto de obras artísticas visuais reflita tão bem a miséria humana como as pertencentes ao período azul de Pablo Picasso (1881-1973).

A fase é basicamente caracterizada pelo predomínio de cores sombrias, como o azul e o verde. São obras impregnadas de melancolia, tristeza e pessimismo.

São exemplos de temas explorados nessa fase: trabalhadores exaustos, mendigos, meninos de rua, alcoólatras, idosos, doentes, amantes desesperados, mães e crianças abandonadas.

"Mãe com criança enferma". Pablo Picasso, 1903. Metropolitan Museum of Art, New York.

A figura feminina retratada na pintura acima é uma prostituta, acometida por sífilis, que Picasso conheceu ao visitar o Hospital de Saint Lazare, em Paris. A mulher, abandonada, buscava ajuda para seu filho doente.

Vê-se expresso no rosto da mãe a solidão de sua condição. Seu filho, desnutrido, aparece envolto num manto que ameniza a imagem de sua tristeza e desolação.

O pintor enfatiza tanto os olhos suplicantes dos personagens, que aparecem fixos no espectador, quanto a magra mão da jovem mãe, que agarra seu filho mantendo o gesto de carinho e proteção enquanto aguarda auxílio.

REFERÊNCIAS:
Solar, Ma Dolores Villaverde. “Achaques, dolencias y padecimientos en la mujer a través de la pintura/Ailments, ilness and sufferings in woman through painting”. January 1, 2010.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Síndrome de Prader Willi em pinturas do século XVII

Os quadros expostos adiante foram pintados pelo grande retratista espanhol Juan Carreño de Miranda, amigo e discípulo de Velázquez e um dos artistas mais estimados pelo rei Carlos II, de Espanha. Em reconhecimento da elegância de sua pintura, Miranda foi convidado a registrar pictoricamente os personagens da corte espanhola, sendo mais tarde considerado o pintor barroco mais representativo de sua época.

A monstra (1680). Juan Carreño de Miranda (1614-1685). Óleo sobre tela, 165 x 107 cm. Museu do Prado (Madri).

A monstra desnuda (1680). Juan Carreño de Miranda(1614 – 1685). Óleo sobre tela, 165 cm por 108 cm. Museu do Prado (Madri)

Estas pinturas, executadas a pedido do próprio rei, retratam Eugenia Martínez VallejoEm 1680, a fim de atender aos caprichos e às excentricidades da família real, Eugenia foi convidada a morar no palácio. À época, a pequena possuía aproximadamente 6 anos de idade.

A menina, hiperobesa, foi uma das muitas pessoas com defeitos físicos ou mentais responsáveis pelo divertimento régio. Por conta de sua aparência, ficou conhecida como "a gorda", ou "a monstra". Era sabido em toda a corte que com apenas um ano de idade Eugenia já pesava 25 quilos.

Médicos que estudaram detalhadamente o “caso Eugenia” aventaram a hipótese de haver sido ela acometida da síndrome de Prader-Willi (SPW). De origem genética, descrita em 1956 por Andrea Prader, Alexis Labhart e Heinrich Willi, a síndrome ocorre devido à deleção da porção proximal do braço longo do cromossomo 15 paterno, onde há um conseqüente comprometimento hipotalâmico.

A provável doença de Eugenia, conhecida também como síndrome HHHO (hipopsiquismo, hipogonadismo, hipotonia e obesidade), tem como marcante característica uma acentuada hiperfagia que surge geralmente após os dois anos de idade, resultando numa obesidade progressiva. Outros sinais são: microgenitália, pele sem hirsutismo e sem estrias, deficiência mental leve ou moderada, baixa estatura, mãos e pés pequenos e elevação dos tubérculos do lábio superior que ladeiam o filtro. Preocupante para os obstetras é a redução da atividade fetal pela hipotonia muscular que ocorre antes do nascimento. Tal hipotonia, após o nascimento, pode causar apnéia do sono, incapacidade de sucção e retardo no deambular e falar. Os portadores da síndrome possuem também uma franca tendência a desenvolver diabetes mellitus. Sua incidência é de 1:15.000 nascimentos, sendo mais comum numa proporção de 3:1 o acometimento do sexo masculino, estes apresentando usualmente criptorquia.

Em A monstra, aludindo ao pecado da gula, Eugenia foi retratada segurando maçãs em ambas as mãos, simbolizando assim sua fome insaciável. Já na obra A monstra desnuda, onde aparece despida e decorada com uvas, sua imagem evoca um Baco infantil; aliás, a folha de parreira recobrindo sua genitália externa, lembra o Grande Baco pintado por Caravaggio.

É bem possível que as características morfológicas destes retratos representem as primeiras ilustrações da SPW. Diz-se que, ao ver essas telas no Museu do Prado (Madri), o próprio Andrea Prader reconheceu imediatamente os sinais peculiares à síndrome que descreveu dois séculos após as pinturas serem concluídas.

REFERÊNCIAS:
1.Bezerra, A.J.C; Bacelar, S. Eu tinha Prader-Willi?. Ética Revista, ano V, n.º 6, nov./dez., 2007.
2.Butler, M. Management of Prader-Willi syndrome. Prader-Willi Syndrome Association. Publisher: Springer.
3.Herrera, M; Moreno, C. Eugenia Martínez Vallejo, una invitada de peso en la corte de Carlos II; Revista Española de Obesidad • Vol. 7 • Núm. 4 • Julio-agosto 2009 (227-228)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Símbolo da Sociedade Brasileira de Pediatria

Antigamente, era costume da cultura judaica enfaixar a criança até os três meses de idade, quando então ela era levada ao templo para ser apresentada ao sacerdote. O pintor veneziano Giovanni Bellini assim representou o Menino Jesus:


Giovanni Bellini. Apresentação de Jesus no Templo (1464). Têmpera sobre madeira. 80 x 105 cm. Fondazione Querini-Stampalia, Veneza

Foi a partir de uma obra de arte que surgiu o desenho do símbolo da pediatria brasileira. A história é a seguinte: com base nesse costume de enfaixar recém-nascidos, em 1528 o escultor italiano renascentista Andrea della Robbia (1435 - 1525) esculpiu, para o pórtico do orfanato florentino Spedale degli Innocenti (Hospital dos Inocentes), várias imagens de crianças, objetivando ornamentar o pátio interno da instituição:

Crianças (1470). Andrea della Robbia. Medalhões (Tondos) em terracota esmaltada. Ospedale degli Innocenti (Florença).

A idéia é que cada criança esculpida represente o “Menino Jesus” com seu olhar suplicante pelas crianças abandonadas; além disso, a primeira criança aparece totalmente enfaixada, e a seqüência dos medalhões mostra as demais sendo progressivamente desenfaixadas até que a última aparece com as faixas afastadas do corpo, que se encontra, do tórax aos pés, completamente solto e livre.

A criança desenfaixada representa, talvez, a libertação do constrangimento dos pequenos por serem “bebês abandonados”, já que a educação e as demais condições fornecidas pelo instituto priorizavam o bem estar psíquico dos residentes, proporcionando a cada criança "orfã" a capacidade de livrar-se desse estigma (nas esculturas, a própria criança desenfaixa seu corpo) . Outro detalhe interessante é que os braços das crianças foram esculpidos livres e abertos, como se clamassem aos visitantes: “Adotem-me”.

À esquerda: Atual Logomarca da Sociedade Brasileira de Pediatria (1968). Francisco Confort. Rio de Janeiro.

Em 1936, o médico Adamastor Barbosa, que presidia a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), encomendou um símbolo para ornamentar o diploma de sócio da entidade. O autor do desenho se inspirou nos medalhões esculpidos por della Robbia presentes no orfanato. Em 1957, na gestão do Dr. Martinho da Rocha, o símbolo foi modernizado, mas manteve a figura do menino enfaixado. A mais recente modificação foi feita em 1968, quando o Dr. Telles era o presidente da SBP. Coube a Francisco Confort, designer da Casa da Moeda do Brasil, fazer a mais recente estilização.

Curiosidades:

O orfanato Spedale degli Innocenti foi construído e projetado em 1419 por Filippo Brunelleschi (artista considerado o fundador da arquitetura do renascimento italiano), sendo o primeiro lugar a ser dedicado exclusivamente ao cuidado e educação das crianças abandonadas. Hoje, o clássico prédio funciona como museu de arte, mas o instituto nunca interrompeu suas atividades em favor das crianças e adolescentes.

Um símbolo também baseado nas crianças de della Robia foi adotado pela American Academy of Pediatrics em 1930.

O ato de enfaixar o abdome das crianças até que caia o umbigo talvez tenha surgido a partir da herança cultural judaica. Até hoje, o costume perdura em algumas cidades do interior do Brasil.

REFERÊNCIAS:
1.KAHN,Lawrence. The "Ospedale degli Innocenti" and the "Bambino" of the American Academy of Pediatrics. PEDIATRICS Vol. 110 No. 1 July 2002, pp. 175-180.
2.Gavitt, P. Criança e Caridade na Florença renascentista: O Ospedale degli Innocenti, 1410-1536 (Ann Arbor, MI: Universidade de Michigan Press, 1990)
3.BEZERRA, A.J.C.; As belas artes da medicina. Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, Brasília, 2003
4.
História da Sociedade Brasileira de Pediatria
5.
Wikipédia - Andrea della Robbia


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"O Doutor" - Samuel Luke Fildes

O inglês Sir Samuel Luke Fields foi o artista responsável por um dos mais belos quadros que têm médicos como tema. A célebre obra retrata um médico pensativo observando uma criança gravemente doente:

" The Doctor",1891; Samuel Luke Fildes (1844-1927), Óleo sobre tela, Galeria Tate (Londres)

Ao pintar a criança enferma Fields inspirou-se no drama que viveu com o falecimento do seu filho na noite de natal de 1877. O quadro foi uma homenagem do pintor ao médico prestativo que assistiu seu filho até a hora da morte. Para que a tela fosse mais real possível, Luke Fields reproduziu no seu ateliê a sala de sua casa, palco do óbito de seu herdeiro.

No quadro, nota-se o médico em primeiro plano, olhando para sua paciente enquanto pensa se, a despeito do grau da enfermidade, é possível encontrar uma terapêutica eficaz.Observa-se também uma jovem doente, pálida, fraca e adormecida.

No fundo vemos uma mãe aflita, preocupada e desesperançosa, sua cabeça baixa traduz o desespero de quem espera o pior. Também é notável a expressão do pai, que não pode conter sua preocupação com a doença de sua filha, mas procura manter a calma, a fim de confortar a mãe. Se levarmos em consideração a época em que a tela foi pintada, é possível supor que o quadro retrata uma vítima de alguma doença infecciosa incurável, comum na era pré-antibiótica.



O Doutor foi concluído em 1891, atendendo a um pedido da rainha Vitória, da Inglaterra. O trabalho que custou três mil libras esterlinas, foi intermediado por Sir Henry Tate, em cuja homenagem existe atualmente em Londres, na Galeria Tates, onde essa obra de arte encontra-se exposta.