A doença ocular tem merecido lugar de destaque nas artes. Na pintura, há registros de casos de estrabismo, catarata e cegueira, dentre outros interessantes temas. Pieter Bruegel “O Velho” é o responsável pela notável A Parábola dos Cegos, na qual vê-se cegos de mãos dadas, numa fila, tateando com bengalas o caminho a percorrer. O quadro faz alusão ao Evangelho de Mateus, 15:14, que diz: “Não se preocupem com eles, são guias cegos. E quando um cego guia o outro, os dois acabam caindo no buraco”.

Uma inspeção mais próxima dos seus rostos fornece evidências físicas que nos fazem supor as condições que determinaram a cegueira de cada um.
O rosto do primeiro homem não é visto. O segundo homem aparece sem pálpebras e globos de ambos os lados, o que sugere a possibilidade de enucleação bilateral.

Leucoma corneano é o diagnóstico proposto para explicar a cegueira da terceira figura retratada na pintura com evidente opacificação da córnea.

O quarto homem parece demonstrar sinais consistentes com uma resposta inflamatória ocular grave. A lesão facial do lado direito de sua face parece sugerir que fora vítima de um insulto externo, tal como queimadura.

Os olhos do quinto homem não são vistos sob a viseira. É considerada a possibilidade de fotofobia ou cegueira severa resultando na completa perda da percepção luminosa. Quanto ao sexto homem, argumenta-se que suas características faciais indicam o diagnóstico de cegueira conseguinte à pênfigo bolhoso.
REFERÊNCIAS:
1.SALER, V. "Medical conditions in works of art"British Journal of Hospital Medicine, February 2008, Vol 69, No 2
2.SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das. Letras, 1995.
3.BEZERRA, A.J.C.; As belas artes da medicina. Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, Brasília, 2003.
Genial!!
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