A hipertricose (também conhecida como a síndrome do lobisomem), seja universal ou localizada, é uma doença de natureza endócrina perenizada em telas.
A hipertricose generalizada pode ocorrer na anorexia nervosa, no hipotireoidismo, na porfiria, em certas doenças do sistema nervoso e com o uso drogas (ex: fenobarbital).
Pedro Gonzales, sofreu de hipertricose universal (doença tão bizarra que beira a ficção).
Pedro Gonzales, seu filho, suas duas filhas e um neto foram afetados pelo transtorno e enviados à França como uma curiosidade para os nobres. Nascido em Tenerife, nas Ilhas Canárias, em 1556, Pedro foi dado de presente à corte de
Henrique II, como se fosse um bichinho de pelúcia.
Um dos primeiros casos conhecidos de hipertricose universal congênita foi, portanto, o de Pedro Gonzales. Em razão de sua inteligência e de sua presença marcante, Henrique II fez dele um de seus mais importantes embaixadores. A artista
Lavinia Fontana de Zappis, filha do também artista
Prosperam Fontana - amigo de
Michelangelo Buonarroti e retratista do papa
Júlio – representou artisticamente a hipertricose dos Gonzales. Abaixo, o retrato de Gonzales:
Gonzales (1585).Lavínia Fontana de Zappis (1552-1614).Óleo sobre tela.Castelo de Ambras (Innsbruck)

Nascida na Holanda em 1572,
Antonieta Gonzales, conhecida por Tonina, herdou do pai, Pedro Gonzales, casado com uma bela holandesa, a hipertricose universal congênita.
Em 1592,
Ulisses Aldrovandi, médico e professor da Universidade de Bolonha, examinou os Gonzales e documentou os casos em seu livro ilustrado com xilogravuras, o qual recebeu o título de
História de Monstros. No final do capítulo, o médico registra ter recebido a notícia de que Tonina havia se casado e dado à luz um filho peludo. O óleo sobre tela ao lado, intitulado
Filha de Gonzales foi pintado também por Lavinia Fontana em 1585, e encontra-se exposto no
Kunsthistorishes Museum (Viena).
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| "Toninha" (Séc. XVI); Lavinia Fontana. |
REFERÊNCIAS:
1.BEZERRA, A.J.C.; As belas artes da medicina. Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, Brasília, 2003.
2Cardoso CBMA, Bordallo MAN, CKA. Hirsutismo . Adolesc. Saude. 2005;2(1):37-40