domingo, 9 de outubro de 2011

Ceratose seborréica em pintura de Francisco Goya

A pintura em que Francisco Goya y Lucientes (1746 -1828) registra a família real espanhola no ano de 1800, mostra uma lesão elementar na região frontal direita da Infanta Maria Josefa (1744-1801), irmã de Carlos IV (1748-1819).



Família de Carlos IV, 1800-1, de Francisco Goya y Lucientes (1746-1828). Museu do Prado, Madri.
Maria Josefa é a quarta figura que aparece da esquerda para direita. Esta manifestação dermatológica pigmentada é sugestiva de ceratose seborréica, merecendo o diagnóstico diferencial com lentigo.


Destaque para lesão sugestiva de ceratose seborréica ou lentigo.
A lesão dermatológica representaria apenas um artefato de pintura. Entretanto, este elemento pictórico aparece também num esboço produzido anteriormente por Goya:

Infanta Dona Maria Josefa (1800-1).Francisco Goya y Lucientes, Museu do Prado, Madri.

REFERÊNCIAS:
1.Souza,E.M. Vallarelli, A.F; “dermatologia nas artes”. An Bras Dermatol. 2009;84(5):556-8

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Fisiologia do coito: análise do desenho de Leonardo da Vinci

O objetivo mais alto do artista consiste em exprimir na fisionomia e nos movimentos do corpo as paixões da alma. (Leonardo da Vinci).
Os desenhos anatômicos de Leonardo da Vinci (1452-1519) foram, ao longo dos séculos, imensamente admirados por artistas, médicos e historiadores. A maioria deles são datados no período entre 1487 e 1513. Somente a partir de 1503 Leonardo viveria sua fase mais ativa de pesquisa anatômica, adquirindo um conhecimento mais exato da anatômia humana através da dissecção de cadáveres. Este fato justifica as imperfeições anatômicas encontradas nos desenhos arquitetados durante a primeira metade deste período.

Referência específica é aqui feita para os desenhos que ilustram a anatomia masculina e feminina no ato do coito. Suas representações sobre o intercurso sexual são uma tentativa de esclarecer e ilustrar a fisiologia apresentada nos livros didáticos do seu tempo. De suas posses literárias mais consultadas, destacam-se os textos de Mondino di Luzzi e Avicena. Ao ler estes livros e outros, Leonardo acessou às ideias de Hipócrates, Aristóteles, Platão e Galeno.

Um breve olhar para o personagem masculino na gravura abaixo revela o incrível "encanamento" interno projetado por Leonardo para descrever a fisiologia aristotélica sobre a reprodução humana:

"O Coito" (1492)
A ilustração evidencia dois canais no pênis, um mais baixo, ligado ao trato urogenital através da uretra, e um canal superior, que passa para a medula espinhal por meio de três vasos.

Detalhe evidenciando os dois canais no pênis.
Segundo a antiga filosofia grega, a "essência" de um bebê seria fornecida por uma "semente universal" pertencente ao macho. Este ingrediente procriador derivaria de um “espírito animal” – material fisiológico fabricado a partir de sangue arterial na base do cérebro e transferido para todas os partes do corpo através dos nervos.

O sêmen desceria a partir do cérebro através de um canal que pode ser visto na coluna vertebral do homem. Isso explica a conexão desenhada por Leonardo entre a coluna e o pênis.

Aristóteles acreditava que os testículos não desempenhavam nenhum papel na procriação, e que apenas forneciam um líquido para lubrificar a vagina durante a relação sexual. Leonardo, que discordou deste conceito, desenhou um grande vaso sanguíneo transferindo a “semente” para o testículo, ilustrando assim o ponto de vista galênico de que os testículos fabricam espermatozóides a partir do sangue. 

A ausência de ovários na figura de sexo feminino é justificada pela crença aristotélica de que os ovários não possuem papel reprodutivo. A fêmea serviria apenas como o solo em que a semente masculina é plantada. Leonardo, portanto, mesclou nesta ilustração os argumentos galênicos e aristotélicos para fisiologia do coito.

Interessante observar a representação dos dois nervos supostamente encarregados de provocar a ereção e a ejaculação: um deles, produto da fantasia de Leonardo, provém diretamente do coração, – ideia não tão absurda se considerarmos o pensamento da época de que tal órgão era o responsável pelo amor. O outro nervo tem suas raízes à nível sacral, o que, evidentemente, esta mais de acordo com o conhecimento atual da fisiologia do coito.

Um curioso detalhe pictórico é a adição de um vaso sanguíneo ligando o fundo do útero à mama. De acordo com o pensamento medieval, este vaso hipotético levaria o sangue menstrual suprimido para as glândulas mamárias, causando assim o aumento das mamas e a lactogênese. Não há como negar a genial associação do pintor, que vincula ambos os órgãos por meio de uma conexão direta, séculos antes de Ferguson descrever o reflexo que leva o seu nome.

Não há dúvida de que o gênio renascentista, pai das grandiosas inovações artísticas da época, era excepcionalmente atento e criativo também nas suas engenhosas representações anatômicas.


REFERÊNCIAS:
1.Coleção Os Pensadores, Aristóteles, Abril Cultural, São Paulo, 1.ª edição, vol.II, agosto 1973.
2.MORRIS, A. G.“On the sexual intercourse drawings of Leonardo da Vinci”.SAMT DEEL69 12APRIL1986.
3..TOPOLANSKI, R. “OBRA EL ARTE Y LA MEDICINA.” CAP 7: La obstetrícia y la ginecologia.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Afecções dematológicas em autorretrato de Rembrandt (1659)

Condições dermatológicas comuns, tais como verrugas e nevos, são regularmente observadas em pinturas. Uma análise deste autorretrato pintado em 1659 por Rembrandt van Rijn (1606-1669) requer atenção meticulosa aos detalhes da reprodução exata de sua pele.

Autorretrato, 1659, Rembrandt Harmenszoon van Rijn. Oleo sobre tela, 84,5 x 66 cm, Galeria Nacional de Arte, Washington, DC, USA

De uma perspectiva dermatológica, é notável a representação de dermatocálaze, xantelasma, telangiectagias e rosácea associada a rinofima:


Hankey (1998) propôs que esta constelação de sinais, juntamente com o edema periorbital, a escassez de cabelos e sobrancelha, a palidez e a obesidade, poderia significar um diagnóstico subjacente de hipotireoidismo com secundária hipercolesterolemia.

Ao longo da trajetória artística, Rembrandt produziu cerca de cinquenta autorretratos, tecendo um catálogo psicológico de seus humores e das várias fases de sua vida. As obras formam uma biografia única e íntima na qual o artista se retrata com uma sinceridade extremada e despida de qualquer vaidade, refletindo sua jornada pelo autoconhecimento.


REFERÊNCIAS:
SALTER, V. “Medical conditions in works of art”. British Journal of Hospital Medicine, February 2008, Vol 69, No 2.

sábado, 1 de outubro de 2011

A romântica tuberculose de Fantine / "Os Miseráveis", de Victor Hugo

Em meados do século XVIII, um em cada quatro indivíduos era diagnosticado com tuberculose. A epidemia atingiu seu apogeu no século XIX, época em que subsistia a visão de que a tuberculose era a doença romântica do século. A moléstia, desconhecida e sem tratamento, “consumia pelo peito”, tirando a vida de homens que estavam no auge da entusiástica juventude.

Por acometer famosos músicos e poetas, acreditava-se que a doença atingia somente seres sensíveis, frágeis e “movidos pela paixão”.

Para os românticos, a tuberculose trazia certa dose de beleza e charme: a vítima tornava-se pálida, mais magra, os olhos encovados e brilhantes exalavam paixão, e os gestos graciosos e frágeis refletiam a fraqueza e sensibilidade do ser humano.

Neste cenário inspirativo, nasceram inúmeras personagens literárias portadoras da doença; uma delas, Fantine, faz parte de uma importante obra francesa da época. Os Miseráveis é um romance social publicado em 1862, de autoria do escritor francês Victor Hugo, que narra o destino lastimável de cinco principais personagens: Jean Valjean, Fantine, Cosette, Marius e Javert. A história se passa na França do século dezenove, no período delimitado pela Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de 1962.

A trágica saga de Fantine compõe o primeiro livro do romance. Nascida em Montreuil-sur-Mer, a bela jovem apaixona-se por Félix Tholomyes, estudante parisiense que a abandona após engravidá-la. Fantine fica desamparada, com sua filha Cosette, em Paris. Sem dinheiro, vê-se obrigada a deixar a criança sob os cuidados dos Thenardiers, donos de uma estalagem em Montfermeil, e volta pra sua cidade natal a fim de conseguir trabalho. Fantine é empregada numa fábrica e envia mensalmente seu salário para as despesas da menina. Os Thernardiers passam a enviar com freqüência cartas fraudulentas objetivando extorquir mais dinheiro de Fantine.

Descoberta mãe solteira por uma funcionária da fábrica, Fantine é demitida. Para conseguir manter as exigências financeiras da família que cuida da filha, vende seus cabelos a um cabeleireiro e os dentes a um dentista. Mais tarde, torna-se prostituta para pagar um tratamento medicamentoso para Cosette, supostamente doente. A menina, bastante saudável na realidade, é explorada como escrava na pousada em que vive.

Os sintomas da tuberculose surgem logo após a demissão de Fantine.
Saía-lhe a respiração do peito com esse sussurrar trágico privativo das moléstias daquela espécie, que parte o coração à pobre mãe que tem um filho condenado àquele gênero de morte, quando de noite o vela à cabeceira do leito. Todavia, aquela respiração penosa mal perturbava a expressão de serenidade inefável que se divisava em seu rosto, transfigurando-a no seu dormir. Fantine tinha as faces vermelhas, e o que era palidez convertera-se em brancura. As loiras e compridas pestanas, única beleza que lhe ficara da sua virgindade e juventude, palpitavam-lhe, ainda que fechadas e abaixadas, e o corpo tremia-lhe, agitado por não sei que sacudir de asas prestes a entreabrirem-se e a arrebatá-la, cujos estremecimentos se sentiam, mas não se viam. Ao vê-la daquele modo, ninguém suporia que estava ali uma doente sem esperança de salvação. Mais parecia uma pessoa que está para voar do que pra morrer.
No ínicio, a doença lhe provoca apenas uma tosse seca, mas mais tarde progride, manifestando-se com febre, sudorese, hemoptise e cianose, culminando na morte da personagem.

Cabe aqui comentar que a descrição detalhada para diagnóstico clínico da tuberculose foi feita pela primeira vez apenas em 1819, pelo grande clínico francês René Laennec (inventor do estetoscópio), que mais tarde morreria pela própria doença. Por suas contribuições pneumológicas, Laennec, – um dos nomes mais importantes da história da medicina – , atraiu a admiração de Victor Hugo, que estampou seu nome de forma elogiosa nas páginas de Os Miseráveis:
Acabamos de dizer que Fantine não se restabelecia, ao contrário, parecia agravar-se o seu estado de semana a semana. [...] Começavam então a seguir as belíssimas indicações de Laennec no estudo e tratamento das doenças do peito.
Em 1882 o cientista alemão Robert Koch isolou o bacilo que causa a doença, o Mycobacterium tuberculosis, mas somente em 1943 Selman A. Waksman descobriria a estreptomicina, o primeiro antibiótico usado contra a tuberculose.

A luta de Fantine para cuidar da filha é diretamente proporcional à gravidade de sua doença. Victor Hugo associa simbolicamente a tuberculose à maternidade.
O excesso do trabalho veio a fatigar Fantine, de modo que a tossezinha seca que tinha aumentou.
O esforço físico necessário para manter Cosette é paralelo a fraqueza decorrente da doença, de modo que por ambos Fantine “perde o fôlego”, caindo em completa desgraça.
Quanto mais fundo ela descia, quanto mais sombrio se tornava tudo em roda dela, mais aquele doce anjinho lhe irradiava de luz o fundo da alma. A tosse, porém, não a largava, e as costas às vezes ficavam banhadas em suor.
Hugo enfatiza sutilmente o valor da maternidade, embutindo a idéia de que Fantine abre mão de sua própria vida para salvar a da filha.





REFERÊNCIAS:
HUGO, Victor, Os miseráveis (Volume I: Fantine).Lisboa: Editorial Minerva, 1962.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

"Enfermaria nº 6", de Anton Tchekhov

“O repouso e a satisfação não estão fora do homem, mas dentro de si próprio.” Anton Tchekhov

Confeccionada em 1892 pelo célebre escritor e médico Anton Tchekhov, Enfermaria nº 6 é um conto que discorre de maneira sublime sobre a concepção filosófica da saúde mental, através de um passeio literário por um hospital psiquiátrico provincial.

Graças ao gigantismo do autor, a obra ficou consagrada como uma das mais impactantes histórias difundidas entre o público médico.

A trama principal transita em torno de quatro personagens portadores de transtornos mentais. O autor busca extrair, do cerne da loucura, a riqueza emocional de cada ser humano, infundindo delicadamente a idéia de que a enfermidade psíquica provém de um estado de hipersensibilidade aos
infortúnios a que estamos suscetíveis.

Ivan Dmitrich Gromov, de origem nobre, trinta e três anos, antigo oficial de diligências do julgado e secretário provincial, sofre de mania da perseguição [...] mostra-se sempre excitado, inquieto, num estado de grande tensão, como se esperasse algum acontecimento confuso e indefinido [...] tem uns tiques estranhos e doentios, mas os finos sulcos, que um profundo e sincero sofrimento deixou no seu semblante, denotam inteligência,e os seus olhos deixam transparecer um brilho carinhoso e sadio [...] Seu discurso é desordenado, febril, como em delírio; nem sempre se compreende o que diz; mas mesmo assim deixa perceber, pelas palavras e pela voz, qualquer coisa que denota extrema bondade. Quando fala, distinguem-se nele o louco e o homem. É difícil traduzir para o papel os seus desvarios. Fala da maldade humana, da violência que espezinha a justiça, da bela vida que com o andar dos tempos reinará na terra, das grades e das janelas, que a cada instante lhe recordam a obstinação e a crueldade dos opressores.”

Andrei Efimich, médico chefe do hospital, classificado inicialmente pela sociedade como um individuo sadio, estabelece uma relação de íntima amizade com um dos pacientes. Este último, a despeito de seu problema mental, exprime ser portador de peculiar inteligência quando aceita entabular diariamente conversas de conteúdo filosófico com o médico.

Com sua maneira singular de compreender a vida, o paciente influencia Andrei Efimich a ponto de modificar seu modo de ver e entender os pacientes ao mostrar-lhe o quão difícil é estar submetido à internação psiquiátrica. O médico, sensibilizado, passa a lidar com os enfermos de forma nunca feita antes, e esse estilo inteiramente novo de agir faz com que ele seja declarado insano e internado junto aos outros na enfermaria número 6.

Além de objetivar extinguir o preconceito contra os portadores de distúrbios mentais, a obra russa também enfatiza, dentre outros assuntos relevantes, as evoluções medicinais do período, a necessidade de uma boa relação médico-paciente e a importância do intelectualismo nas relações sociais.


REFERÊNCIAS:
TCHEKHOV, A. A ENFERMARIA Nº 6 e outros contos. Trad: Maria Luísa Anahory. Editora Verbo. Lisboa, 1972.

sábado, 10 de setembro de 2011

"O Homem Elefante": Filme conta a emocionante história de Joseph Merrick

Baseado numa história verídica, o filme norte-americano The Elephant Man (1980), conta a notável saga de Joseph Carey Merrick (1862-1890), constituindo um dos retratos humanos mais comoventes dentre as produções cinematográficas do século XX.


O diretor do filme, David Lynch, baseou-se em duas fontes para a composição do enredo: no livro, The Elephant Man (1980), de Frederick Treves, e em um livro de Ashley Montagu, chamado: The Elephant Man: A Study In Human Dignity, publicado em 1971.

Joseph Merrick (1862-1890), interpretado por John Hurt, portava uma doença que deformou de maneira irreversível 90% do seu corpo. Sua aparência chamou a atenção do famoso cirurgião Frederick Treves (Anthony Hopkins), que o encontrou num circo, no final de 1884, sendo apresentado como uma das aberrações do espetáculo. Em dezembro de 1884, Frederick Treves examinou Merrick e o apresentou como um caso em uma reunião da Sociedade Patológica de Londres:

“Ele é inglês. Tem 21 anos de idade e chama-se John Merrick. Na minha prática profissional, já vi deformidades do rosto decorrentes de ferimentos ou doenças, bem como mutilações e deformidades do corpo, devido a causas semelhantes. Mas em momento algum presenciei tão degradante versão de um ser humano como agora. Quero chamar a atenção dos senhores para esta insidiosa condição. Podem ver daí? Há um exagerado crescimento do crânio e do braço direito, totalmente inutilizado; uma alarmante curvatura da coluna. Notem a frouxidão da pele e os tumores fibrosos, que cobrem 90% do seu corpo. Tudo indica que essas deformações já existiam e progrediram rapidamente desde o nascimento. O paciente também sofre de bronquite crônica. Um aparte interessante é que, apesar das anomalias, os genitais do paciente não foram afetados e permanecem intactos. O braço esquerdo é normal, como podem ver. Então, senhores, devido a estas condições, aos tumores ósseos no crânio, à grande quantidade de massas pendentes na pele, ao crescimento exagerado do braço direito, envolvendo todos os ossos, às extensas distorções da cabeça, e à grande área coberta por papilomas, o paciente é conhecido como O Homem Elefante. Obrigado.” Frederick Treves (1884)

Fotografia de 1889.
Em 24 de junho 1886, Joseph foi admitido como residente no Royal London Hospital. Lá recebeu inúmeras visitas, a primeira sobre a qual sabemos é interpretada por Anne Bancroft, ela representa Madge Kendal, uma atriz que fazia sucesso nos palcos de Londres durante a segunda metade do século XIX. Como uma figura materna para Joseph, ela o ajuda a aceitar sua enfermidade e a encontrar alguma alegria.

Entre as personalidades que o visitava, destaca-se também a rainha Vitória e a princesa Alexandra, esta última, que o presenteava com freqüência, comentou no próprio diário o quão eram comoventes seus encontros com Merrick.

Joseph fora um jovem de sensibilidade artística; e assim como vários indivíduos portadores de alguma condição excêntrica fizeram da arte seu maior refúgio, também Joseph encontrou algum conforto na concretização de suas idéias criativas. Ele gostava de presentear a quem estimava com suas delicadas criações. Uma delas existe até hoje. É a maquete de uma igreja, de fabricação alemã, que ele fez para a atriz Madge Kendal, talvez em 1886:

Maquete de Igreja (1886). Joseph Merrick. Museu do Royal London Hospital.
Ao longo dos anos, debateu-se sobre qual seria a doença de Joseph. O próprio Merrick atribuía a misteriosa doença a um susto que sua mãe teria tido ao ver um elefante quando ainda grávida dele em 1862. No registro do paciente, feito em 1886 para os pacientes do London Hospital, consta que Joseph sofria de elefantíase, uma doença inflamatória adquirida encontrada em países tropicais. Certamente Joseph não sofria disso. A suspeita era a de que ele sofria de neurofibromatose tipo 1, complicada por outra doença, a fibrodisplasia. A análise das radiografias e fotos de Joseph Merrick mostram indícios de várias afecções. Ao exame de diferentes partes do seu corpo, como o fêmur, postulou-se que ele podia ter doença de Paget. Nos anos 80, dois médicos dos EUA propuseram outro diagnóstico, Tibbles e Cohen sugeriram que Joseph sofria da Síndrome de Proteus – assim denominada em alusão a Proteu, deus entalhador das formas –, uma rara doença genética, com poucos casos descritos na literatura médica. O diagnóstico encontrou adeptos e houve muitas tentativas de extrair o DNA dos restos mortais de Joseph para comprovar a hipótese. A condição física do jovem britânico foi fonte de diversos estudos médicos, entretanto, até o momento, não há prova científica sobre qual afecção o acometeu.
De facto, a minha aparência é algo medonha, mas censurar-me é censurar a Deus. Pudesse eu recriar-me novamente, não te decepcionaria. Pudesse eu abarcar o mundo de pólo a pólo ou abraçar o oceano num amplexo, seria medido pela minha alma, a base da mente do homem. (Trecho de poema de Isaac Watts com que Joseph finalizava suas cartas).

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"O Médico", por Rubem Alves

O curta-metragem abaixo traz a adaptação de uma crônica extraída do livro O Médico, de autoria de Rubem Alves, onde o escritor interpreta poeticamente a pintura O Doutor, de Samuel Luke Fildes, valorizando a influência que possuem os profissionais da Medicina sobre a vida das pessoas:


O Médico é um vídeo produzido em parceira entre o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRMPR).

Veja também: "O Doutor" - Samuel Luke Filds