sábado, 16 de abril de 2011

"Freud, além da alma" / Clássico das artes cinematográficas conta a história do pai da psicanálise

Freud (1962) ou Freud, além da alma, é uma biografia cinematográfica americana baseada na história do neurologista austríaco Sigmund Freud.



Dirigido por John Huston, o filme retrata a trajetória do fundador da psicanálise no período entre 1885 e 1890. A história comprime os anos que levou Freud para desenvolver a sua teoria psicanalítica, momento em que a maioria de seus colegas recusavam-se a tratar a histeria acreditando que os sintomas eram meros estratagemas para atrair a atenção. O neurologista, entretanto, aprende a usar a hipnose para descobrir os motivos das neuroses de seus pacientes, especialmente através do tratamento de Cecily, uma jovem paciente histérica. O enredo enfoca os aspectos fundamentais da elaboração da teoria psicanalítica e exploração do inconsciente.

Elenco:

Montgomery Clift: Sigmund Freud
Susannah York: Cecily Koertner
Larry Parks: Dr. Josef Breuer
Fernand Ledoux: Dr. Charcot
Alexander Mango: Dr. Babinsky
Eric Portman: Dr. Theodore Meynert

Curiosidade:

O roteiro original do filme foi escrito pelo admirável filósofo francês Jean-Paul Sartre.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Síndrome de Pickwick: os distúrbios respiratórios do sono e sua relação com a literatura clássica inglesa

É bem conhecido que o estudo de diferentes obras de arte revelam características de diversas afecções antes mesmo delas serem descritas. Não raramente, também a literatura ficcional antecede a ciência. O fabuloso romancista inglês Charles Dickens (1812-1870), amplamente conhecido por marcar a era vitoriana com seu profundo senso de observação humana e de crítica social, povoou sua obra com memoráveis protagonistas.

Um dos seus secundários personagens ganhou um posto nos anais da medicina. Trata-se do “gorducho Joe”, descrito no capítulo LIV do primeiro sucesso de Dickens As Aventuras do Sr. Pickwick (1836).

Através dessa divertida história, Dickens narra de forma mágica as aventuras de quatro membros de um clube especial que tem como líder o Sr. Samuel Pickwick, uma espécie de filósofo que, junto com seus três seguidores, iniciam uma turnê pela Inglaterra com o intuito de observar descobertas científicas e analisar as diversas variedades do comportamento.

Joe é marcado por seu voraz apetite associado a muitos ataques de sono durante o dia:

... e no caixote sentou-se um garoto gordo e de rosto vermelho em estado de sonolência. [...] Joe - que droga aquele garoto, foi dormir novamente. [...] Em resposta aos tiros de enormes armas em um exército militar, todas as pessoas estavam excitadas exceto o garoto gordo, e ele dormia profundamente como se o barulho do canhão fosse a sua canção de ninar... senhor, será que é possível beliscá-lo na sua perna, nada mais o acorda. [...] Joe ronca enquanto espera a mesa... o ronco do garoto penetrou como um baixo e monótono som vindo distante da cozinha.

Gravura ilustrando Joe – The Fat Boy, contida na primeira versão do livro The posthumous papers of the Pickwick Club.

Fã de Dickens, o pai da medicina moderna Sir William Osler, em sua obra The principles and practice of medicine (1905), registrou o seguinte comentário: Tenho observado um fenômeno extraordinário que associa a excessiva obesidade de pessoas jovens a uma incontrolável tendência a dormir –como o obeso de Pickwick.

Levando em consideração a observação de Osler, no ano de 1956 Burwell notou a lúcida descrição dos sinais que acometem o jovem Joe, atribuindo o rubor facial do personagem a uma policitemia decorrente de uma diminuição da oferta de oxigênio, e consagrou o termo “pickwickiano” para descrever pacientes obesos e sonolentos, portadores de hipoventilação, policitemia e cor pulmonale. O termo Síndrome de Pickwick fora então empregado para designar a condição que reunia tal conjunto de sinais e sintomas.

A curiosidade imposta pela síndrome despertou o interesse sobre o estudo dos distúrbios do sono na classe médica. Pouco depois, médicos franceses observaram que doentes tidos como “pickwickianos” apresentavam repetidos episódios de apnéia durante o sono, justificando ser a redução dos níveis de oxigênio responsável por uma má qualidade de descanso noturno, o que explica a presença de sonolência diurna nesses pacientes. Gastaut descreveu então a apnéia obstrutiva do sono, destacando a existência de pausas repetidas na respiração, bem como a importância do ronco faringeano na síndrome.

Há somente poucas décadas que as desordens respiratórias relacionadas ao sono e à obesidade começaram a tomar um importante lugar nas publicações médicas. Certamente, a excelente caracterização de um sujeito obeso e com distúrbios respiratórios feita há 150 anos por Charles Dickens antecipou a ciência nesta sua obra, onde nos apresentou um esboço do que seria tempos depois descrito como o fenótipo clássico de um portador do distúrbio do sono.

A síndrome de Pickwick é hoje preferencialmente chamada de síndrome obesidade-hipoventilação alveolar e classificada como um subtipo da síndrome da apnéia obstrutiva do sono.

REFERÊNCIAS:
1. DICKENS, C. As Aventuras do Sr. Pickwick. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
2. SILVA, G.A; síndrome obesidade-hipoventilação alveolar. Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: DISTÚRBIOS RESPIRATÓRIOS DO SONO. 39 (2): 195-204, abr./jun. 2006
3. OSLER, W. The principles and practice of medicine. 6ª edición. Nueva York: Appleton; 1905:431.
4. MENDOZA, R.M. La neurología en un personaje de Dickens.Síndrome Pickwickiano, apneas hipopneas del sueño ehipertensión intracraneal. Gac Méd Caracas 2009;117(2):154-162
5. Rabec, C. LEPTIN, OBESITY AND CONTROL OF BREATHING : THE NEW AVENTURES OF MR PICKWICK. Rev Electron Biomed / Electron J Biomed 2006;1:3.

sábado, 9 de abril de 2011

Epilepsia na Obra de Rubens

Em Os Milagres de Santo Ignacio de Loyola (1618), Peter Pawel Rubens (1577-1640) registrou magnificamente duas personagens epilépticas.

Os Milagres de Santo Ignácio de Loyola (1618). Pieter Pawel Rubens (1577-1640). Óleo sobre tela, 535 x 395 cm. Kunsthistorisches Museum (Viena).

A pintura evidencia Santo Ignacio ministrando uma missa na presença de alguns religiosos. Ele eleva os olhos aos céus, põe a mão esquerda sobre o altar e, com a direita, abençoa os doentes que suplicam por um milagre curativo.

Observe a representação realista das possíveis crises tônico-clônicas nas duas figuras que aparecem à esquerda na imagem.


Em primeiro plano, caído no chão, destaca-se um homem apresentando sialorréia durante a convulsão e, logo atrás dele, uma mulher cianótica aparece amparada, enquanto se contorce e lança um grito epiléptico, com o rosto e o corpo em desalinho.


Durante a Idade Média, era a epilepsia tida como uma possessão por espíritos malignos, que deviam ser expulsos por Cristo. As autoridades eclesiais criam que exorcizar o demônio do corpo de uma vítima era a única cura para a síndrome. Um sacerdote era designado “curador”. Este interessante fato histórico pode ser apreciado na tela de Rubens. É clara na pintura a representação da crise como uma possessão demoníaca, uma vez que uma dupla imagem de demônios aparece na parte superior esquerda do quadro, como se a benção concebida pelas mãos de Santo Ignácio houvesse operado o milagre da cura dos dois epilépticos.

Cor, luz e perspectiva mostram a enorme influência da Escola Veneziana na pintura de Rubens. Os recursos técnicos do pintor e a retórica barroca da tela aumentam a dramaticidade da obra.

REFERÊNCIAS:
1.Peter Wolf: Sociocultural History of Epilepsy
2.BEZERRA, A.J.C.; As belas artes da medicina. Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, Brasília, 2003.

sábado, 26 de março de 2011

Friedrich Nietzsche - a medicina como uma profissão humana, demasiada humana

O principio fundamental da medicina humanística é a cura abrangente, tratando não só do corpo, mas também da alma do doente, através de uma conexão médico-paciente em que faz-se necessário a empatia, a paciência e a compaixão.

Em 1878, o pensador alemão Friedrich Nietzsche publicou Humano, Demasiado Humano, visando instituir a idéia de que o homem precisa ser um “espírito livre” a fim de descobrir e aplicar seus valores.


O capítulo cinco da obra, que aborda os “sinais de cultura superior e inferior”, traz uma máxima em que o filósofo expõe sua opinião sobre as características essenciais de um médico verdadeiramente humano:
...ele deve, além disso, ter uma eloquência que se adapte a cada indivíduo e que lhe atinja o coração; uma virilidade cuja simples visão afugente a pusilanimidade (a carcoma de todos os doentes); uma flexibilidade diplomática ao medicar entre os que necessitam de alegria para a cura e os que, por razões de saúde, devem (e podem) dar alegria; a sutileza de um agente policial ou advogado, que entende os segredos de uma alma sem delatá-los - em suma, um bom médico requer atualmente os artifícios e privilégios de todas as outras classes profissionais: assim aparelhado, estará em condição de tornar-se um benfeitor de toda a sociedade, fomentando as boas obras, a alegria e fecundidade do espírito, desestimulando maus pensamentos, más intenções e velhacarias (cuja fonte asquerosa é com frequência o baixo-ventre), instaurando uma aristocracia de corpo e de espírito (ao promover ou impedir matrimônios), eliminando com benevolência todos os tormentos espirituais e remorsos de consciência: apenas assim o "curandeiro" se transforma em salvador, sem precisar fazer milagres nem se deixar crucificar (Humano, demasiado humano, 1878; Nietzsche).
O aforismo de Nietzsche idealiza um médico não apenas empático, reflexivo, profissional e confiável, mas também um “instituidor de bem estar”; no entanto, a tendência atual da prática médica segue, lamentavelmente, em direção oposta: à medida que progridem os meios tecnológicos para diagnóstico, o exercício focado no âmago do próximo regride. Cada vez mais o jovem médico é exposto à alta tecnologia e menos ao lado humanístico e filosófico da medicina. Não esqueçamos que, utilizar meios técnicos ajuda a descobrir e a curar certas enfermidades, mas é através do tratamento baseado na radiografia psíquica e social do homem acometido pelo sofrimento, que reside a capacidade de salvá-lo.
Tranqüilizar a imaginação do doente para que não tenha mais que sofrer com idéias que tem de sua doença, mais que com a própria doença – acho que já é alguma coisa!E não é mesmo pouco! Compreendem agora nossa tarefa?(Aurora, 1881; Nietzsche)
Sejamos, pois, como sugere Nietzsche, médicos humanos, médicos de alma, simplesmente médicos.

REFERÊNCIAS:
1.NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
2.NIETZSCHE, F. Aurora. Tradução de Antonio Carlos Braga. São Paulo: Editora Escala, 2007.


segunda-feira, 21 de março de 2011

Síndrome de Down numa Pintura do Séc. XVI

Quando Langdon Down descreveu em 1866 a síndrome que leva seu nome, afirmou estar surpreso por a anomalia não ter sido descrita anteriormente. Investigações posteriores na história da medicina, no entanto, provaram que ele estava errado. A primeira descrição foi feita em 1838 por Jean Etienne Dominique Esquirol (1772-1840), fundador da psiquiatria moderna. Édouard Séguin (1812-1880) também a descreveu clinicamente em 1844. A aberração cromossômica foi descoberta em 1959 pelo geneticista francês Jean Louis Marie Lejeune (1926-1994) que descobriu uma cópia extra do cromossomo 21.

Na pintura flamenga Adoração do Menino Jesus aparece ao lado de Maria uma figura angelical perceptivelmente distinta dos outros indivíduos da cena. Vários observadores identificaram na fisionomia representada sinais típicos da trissomia do 21, julgando assim conter nesta tela uma das primeiras representações da síndrome:

Adoração do Menino Jesus (1515). Jan Joest of Kalkar . New York Metropolitan Museum of Art.

Uma série de características do anjo embasou o diagnóstico de Síndrome de Down, destacando-se: olhos amendoados, achatamento da ponte nasal, fissuras palpebrais oblíquas, epicanto, nariz arrebitado, curvatura descendente dos cantos da boca e dedos curtos nas mãos. Possivelmente, também um outro sujeito retratado, o pastor localizado no centro do fundo, teria a anomalia.

Detalhe do quadro Adoração do Menino Jesus

A representação de um menino com síndrome de Down como um anjo levou muitos a considerar que o autor procurou fazer alguma menção especial à doença.

REFERÊNCIAS:
Dobson, R. “Painting is earliest example of portrayal of Down's syndrome.” BMJ 2003; 326 : 126 doi: 10.1136/bmj.326.7381.126/b (Published 18 January 2003).

domingo, 20 de março de 2011

Alopecia areata retratada por Francisco Goya

O óleo sobre tela O casamento, produzido por Francisco Goya em 1792, fora encomendado pelo imperador Carlos IV, da Espanha, para a decoração de um dos apartamentos reais de sua residência em El Escorial.

O Casamento, 1791-2. Francisco Goya y Lucientes. Museu do Prado (Madri).

A lesão alopécica localizada no vértice do couro cabeludo da criança que aparece encostada à roda, de costas, tem uma coloração esbranquiçada, um aspecto circunscrito, e a superfície lisa.

Tais características sugerem o diagnóstico de alopecia areata, uma doença multifatorial com componentes auto-imunes, onde ocorre uma importante perda de cabelos e presença abrupta de área ou áreas alopécicas. As causas reais permanecem desconhecidas, mas acredita-se que a fisiopatologia envolve a imunidade celular por meio dos linfócitos CD8 que atuariam sobre antígenos foliculares. A ativação dos linfócitos do infiltrado perifolicular próprio da alopecia areata produz a liberação de citocinas (IL-1 alfa e beta, TNF) que inibem a proliferação das células do folículo piloso, interrompendo a síntese do pêlo sem destruir o folículo.

A lesão característica é uma placa alopécica lisa com coloração da pele normal atingindo qualquer área pilosa do corpo, preferencialmente o couro cabeludo.

Outros possíveis diagnósticos seriam tinha tonsurante do couro cabeludo ou alopecia não-tonsurante, como a tinha favosa.

REFERÊNCIAS:
1.Vallarelli AFA,, Souza EM. Dermatologia nas artes. An Bras Dermatol. 2009;84(5):556-8.
2.Rivitti EA. Alopecia areata: revisão e atualização. An. Bras. Dermatol. vol.80 no.1 Rio de Janeiro Jan./Feb. 2005

segunda-feira, 14 de março de 2011

Transtorno de Personalidade Múltipla em "O Médico e o Monstro"


O escritor escocês Robert L. B. Stevenson compôs uma fascinante obra de perene valor literário: The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1886), publicada no Brasil sob o título O Médico e o Monstro é uma história que discorre sobre o conceito do bem e do mal existente na espécie humana.

O livro pode ser visto como uma notável fonte de estudo para psicologia humana, envolvendo a compreensão das teorias estruturais da personalidade, conforme detalhado por Freud, além de simbolizar perfeitamente o indivíduo acometido pelo transtorno dissociativo de identidade, processo mental caracterizado pela desintegração do ego, popularmente conhecido como dupla personalidade.

O Médico e o Monstro tem como protagonista o Dr. Henry Jekyll, um generoso médico bem sucedido e amplamente respeitado por possuir possui um brilhante intelecto, mas que, em determinado momento, se conscientiza da duplicidade de vida que leva ao perceber a parcela de maldade que reside dentro dele.
Era profunda a duplicidade do meu caráter. Muitos homens teriam confessado com orgulho certos erros. Eu, todavia, tendo em vista os altos propósitos que visava, só podia envergonhar-me dessas irregularidades: ocultava-as, com mórbida sensação de culpa e vergonha. Assim exigia a natureza das minhas aspirações, mais do que a própria degradação dos pecados; ia-se cravando em mim, mais do que na maioria dos mortais, esse profundo fosso que separa o bem do mal e divide e compõe a dualidade de nossa alma. [...] Em cada dia, as duas partes da minha inteligência, a moral e a intelectual, atraíam-me mais e mais para essa verdade, cuja descoberta parcial foram mim condenada a tão pavoroso naufrágio: que o homem não é realmente uno, mas duplo. (Stevenson: O Médico e o Monstro, 1886).
Na novela, Dr. Jekyll consegue, por meio de seus experimentos científicos, criar uma fórmula (comparada com o álcool no decorrer do romance) que intervém no seu "normal" e desencadeia processos mentais e físicos dando origem a um ser misantropo de aparência grotesca e deformada. Através desta outra face de sua personalidade, ele pratica o mal sob o nome de Edward Hyde, livrando a figura do médico das críticas sociais.

Jekyll torna-se completamente dependente da mistura que utiliza para trocar de personalidade. Edward Hyde gradualmente se torna cada vez mais poderoso do que sua contraparte "boa", sendo descrito como lado mais agradável dos dois. Em última análise, é a personalidade dominada pela maldade que leva à queda do Dr. Jekyll e sua morte. Isto porque o médico, nas últimas fases de sua lucidez, reconhece o perigo que o Sr. Hyde representa para a sociedade e altruisticamente decide acabar com ele.

A obra de Stevenson tem caráter profético. Poucos anos depois, os estudos de Sigmund Freud evidenciaram a face oculta da mente, o Sr. Hyde (o sobrenome é óbvio: hide significar “ocultar”) que se esconde atrás de cada dr. Jekyll. Os personagens do romance possuem manifestações características da teoria estrutural da mente proposta por Freud. Hyde é facilmente reconhecível como o id, que busca a gratificação imediata, com um instinto agressivo, e destituído dos costumes morais e sociais que precisam ser seguidos. Seu prazer provém da violência e o instinto de morte acaba por conduzi-lo a sua própria destruição. Dr. Jekyll representa, então, o ego, sendo consciente, racional e dominado por princípios sociais. Além disso, ao rotular Mr. Hyde como um "troglodita", Stevenson estabelece uma relação com as teorias da evolução. Ele considerava Hyde selvagem, incivilizado e dado a paixão: em suma, um indivíduo pouco evoluído. Edward Hyde representa uma regressão a uma fase anterior, ao período mais violento do desenvolvimento humano.

A escolha de um médico como o personagem que se transformará num monstro assassino estabelece um paradoxo entre o crime que destrói uma vida e uma profissão que teoricamente se caracteriza pela luta contra a morte e a compaixão pelo ser humano, realçando o conceito de dualidade humana.

Curiosidades: A obra obteve tão grande sucesso que até os dias atuais o termo "Jekyll e Hyde" é utilizado pela socidade científica como sinônimo de desordem de personalidade múltipla.

Stevenson escreveu a história - supostamente com o auxílio da cocaína - em um curto período de tempo (3 a 5 dias), baseada em um sonho que teve.

O livro também é utilizado como demonstração de dependência química, já que mostra a excessiva necessidade que Dr.Jekyll tem da droga que sintetizou.

REFERÊNCIAS:
1.Shubh M. Singh; Subho Chakrabarti. “A study in dualism: The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde”. Indian J Psychiatry. 2008 Jul–Sep; 50(3): 221–223.
2.SCLIAR, Moacyr, "A Paixão Transformada", Companhia das letras, São Paulo, 1996
3.Stevenson, R. L. "O médico e o monstro". Coleção L&PM Pocket, 2002.