segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A origem da expressão "tendão de Aquiles"

O tendão é assim chamado em honra de Aquiles, famoso personagem da Ilíada - poema épico grego - de Homero.

Aquiles, quando criança, foi batizado em um lago sagrado chamado Stix. Sua mãe o segurou pelos tornozelos e ele, de cabeça para baixo, foi imerso no lago. Ao retirá-lo da água, todo o seu corpo estava bento, exceto os tornozelos, que haviam permanecido enxutos. Aquiles desconhecia o fato de que seus tornozelos não estavam bentos e, portanto, eram vulneráveis. Durante um combate na guerra de tróia, uma flecha adversária o atingiu no tendão calcâneo (tendão de fixação distal dos músculos gastrocnêmio e sóleo no osso calcâneo), pondo-o fora de combate.

Essa pintura em vaso grego representa uma cena da Ilíada de Homero. Nela, vê-se o guerreiro grego Aquiles fazendo um curativo no braço de seu amigo Patroclo:


Aquiles tratando Patroclo. Vaso grego com figura em vermelho (500 a.C). Staatliche Museum (Berlim)

Em 1693, um anatomista francês chamado Phillipe Verheyen foi acometido de gangrena diabética na perna direita. Antes de se submeter à cirurgia de amputação do membro inferior doente, Verreyen pediu ao seu amigo ortopedista que, após a cirurgia, guardasse o membro amputado porque desejava, passado o período de convalescença, dissecar seu tendão calcâneo. Verreyen lembrou-se então do episódio ocorrido com Aquiles e passou, a partir daquele momento, nas suas aulas em público, a usar o nome tendão de Aquiles.

Aquiles Morrendo; estátua localizada nos jardins do Achilleion, em Corfu.

Atualmente com a abolição do uso dos termos eponímicos em Anatomia, o tendão de Aquiles voltou a ser chamado de tendão calcâneo.

REFERÊNCIAS:
BEZERRA, Armando "Admirável mundo médico: a arte na história da medicina" - Brasília, 2002
BEZERRA, A.J.C; DIDIO, L.J.A; PIVA JUNIOR,L. Terminos anatomicos en la iliada de Homero; Rev. Chil. Anat., 9(1): 73-77, 1991.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"A Morte de Ivan Ilitch" de Liev Tolstói

"Ivan Ilitch via que estava morrendo e sentia-se constantemente desesperado. No fundo da alma sabia bem que estava morrendo; mas não só não conseguia habituar-se a essa idéia, como não a compreendia mesmo - era incapaz de compreendê-la." Liev Tolstói

Em A Morte de Ivan Ilitch, considerada por alguns críticos literários a novela mais perfeita já escrita, Liev Tolstói (1828-1910) traça a trajetória de um paciente terminal confrontado com sua doença. O protagonista, Ivan Ilitch, membro de uma corte de apelação provincial, leva uma confortável vida burguesa. A doença – câncer –mudará tudo, transformará sua vida numa jornada de sofrimento e degradação. Com sua genialidade, o escritor russo nos leva a ocupar “o lugar do doente”, fazendo-nos refletir sobre o quanto a desatenção do médico pode ser desfavorável à evolução geral do paciente:

Ivan Illich foi. Tudo se passou como previa e como se passa sempre. Uma longa espera, expressões solenes e doutorais que conhecia muito bem, pois no tribunal era a mesma coisa, auscultação, apalpações, as perguntas habituais, exigindo certas respostas previamente determinadas e evidentemente inúteis, um ar importante que significava: vocês não precisam fazer mais do que obedecer-nos e nós arranjaremos tudo; sabemos muito bem, sem possíveis dúvidas, como se arranjam essas coisas, sempre da mesma forma, qualquer que seja o paciente. Tudo se passava, sem tirar nem pôr, como no tribunal. Do mesmo modo que ele representava uma farsa diante dos acusados, ali o famoso clínico a representava diante dele. O médico dizia: isto e aquilo indicam que o senhor tem isto e aquilo; mas no caso em que o exame não o confirme, seremos levados a supor que seu mal é este ou aquele. E se chegarmos a essa suposição... nesse caso... etc., etc. [...]Ivan Ilitch concluiu do resumo do médico que a coisa ia mal; para o médico, para toda gente mesmo, talvez aquilo não tivesse importância, mas para ele, pessoalmente, a coisa ia muito mal. E essa conclusão abalou de maneira dolorosa Ivan Ilitch, despertando nele um profundo sentimento de piedade de si mesmo e de ódio ao médico, tão indiferente em face de um fato daquela importância. [...] Ivan Ilitch saiu lentamente, retomou com tristeza o seu trenó e mandou tocar para casa. Durante todo o trajeto não cessou de meditar sobre as palavras do médico, esforçando-se por traduzir todos aqueles termos científicos, complicados e obscuros numa linguagem simples, a ver se encontrava nela a resposta à sua pergunta: o meu caso será perigoso, muito perigoso ou não será nada? E pareceu-lhe que as palavras do médico significavam que o seu caso era muito mau. As ruas revestiram-se de uma estranha tristeza aos olhos de Ivan Ilitch: os fiacres estavam tristes, as casas, os passantes, as lojas, tudo estava triste. E a dor que ele sentia, aquela dor surda, obstinada, que não o abandonava um instante, parecia adquirir, graças às frases ambíguas do médico, um significado novo, muito mais sério.

Os médicos, como mostra o texto acima, não se mostram dispostos a ajudá-lo; pelo contrário, o tom de “indiferença” e as palavras utilizadas pelo doutor exacerbam a sensibilidade do doente, fazendo-o se deparar com a morte de uma forma extremamente dolorosa. Seu criado, Guerássim, apieda-se dele; e é com esse homem simples que Ivan Ilitch aprenderá, afinal, o significado da fé e do amor.

A Morte de Ivan Ilitch é um dos clássicos utilizados na disciplina “Humanidades Médicas”, já instituída em diversas universidades do país.

REFERÊNCIAS:
TOLSTÓI, L A morte de Ivan Ilitch. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Publifolha, 1998.


sábado, 28 de agosto de 2010

"A Transfiguração de Cristo" de Rafael Sanzio

“Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz”. Mt 17:1-2

Em “A Transfiguração de Cristo” do italiano renascentista Rafael Sanzio (1483 – 1520) aparece um adolescente com seqüelas de meningite, epiléptico, presenciando a cena em que Jesus Cristo conduz Tiago, Pedro e João a uma montanha. O rosto de Cristo resplandece como o sol, suas vestes tornam-se incandescentemente brancas e os apóstolos vêem ao seu lado os profetas Elis e Moisés:


A Transfiguração de Cristo, 1520; Rafael Sanzio. Óleo sobre painel, 405 x 278 cm. Pinacoteca Apostólica do Vaticano (Vaticano).

Rafael pintou a luminosidade da eternidade de modo a representar a aura do enfermo. O menino, com a boca entreaberta, urra em um grito epiléptico, revira os olhos e estende os membros superiores, deixando sua forte musculatura em franca evidência. O pai, aflito com a impossibilidade de cura, o ampara enquanto os que o cercam apontam-no para Jesus, clamando por sua cura, fazendo-nos lembrar os versículos de São Mateus: “Senhor, tem misericórdia de meu filho, porque ele é epiléptico e está enfermo, pois cai muitas vezes no fogo e na água, e eu o trouxe aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar”. Mt 17:14-16


Para representar o acontecimento relatado nos Evangelhos, Rafael usa uma associação de luz e sombra. Segundo a neurologista Yacubian, considerando que a epilepsia desde a antiguidade até os dias atuais está associada à escuridão, podemos concluir que o artista tentou retratar, ao mesmo tempo, a escuridão do preconceito social em relação com a epilepsia e a luz presente no inconsciente dos próprios epilépticos, à medida que procuram sair das sombras.

REFERÊNCIAS:
1.Yacubian, Elza Márcia Targas e Pinto, Graziela R. S. Costa. Arte, Poder e Epilepsia. 2ª. edição, Editorial Lemos, 2003
2.Lucy Campos Piccinin, O pensamento de Paul Tillich: epilepsia e arte, UMESP
3.BEZERRA, A.J.C.; As belas artes da medicina. Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, Brasília, 2003
.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Olhai os Lírios do Campo" - Érico Veríssimo

Os médicos são personagens freqüentes na obra de Érico Veríssimo (1905 – 1975). Alguma vivência com o tema deu-lhe o período em que trabalhou numa farmácia, em sua terra natal, Cruz Alta, no interior do Rio Grande do Sul. Mais que os aspectos técnicos, no entanto, interessava-lhe a dimensão humana da profissão. Olhai os Lírios do Campo, do qual foi extraído o trecho abaixo, é exemplar nesse sentido:

“Ele principiava a ser um médico de verdade, estava diante da vida, atendia os seus clientes com toda a solicitude e às vezes tinha de esforçar-se para ser delicado e não se encolher diante de criaturas que, pelo aspecto físico ou pela natureza de seus males, lhe inspiravam repugnância ou mal-estar. Fazia-lhes perguntas, interessava-se pela vida deles. Aos poucos ia perdendo os velhos temores de fracasso e aquela sensação de que os outros não tinham confiança nele. Atirava-se à clínica cheio de coragem e isso já era a metade da vitória.”

Olhai os Lírios do Campo conta a história do dr. Eugênio Fontes, que, menino pobre, estuda medicina, apaixona-se por uma idealista colega, Olivia – mas opta por uma vida de conforto, casando com Eunice, filha de um rico empresário. Desgostoso com a existência fútil, volta a exercer a medicina, mas agora encarando a profissão por seu lado social e humano. Escrita em 1938, a obra denuncia a comercialização da medicina e propõe soluções: um sistema socializado, que imporia também uma triagem: “só seguiriam a profissão médica os que tivessem vocação”, diz Eugênio a seu colega e mentor, o dr. Seixas. Esse projeto encaixa-se num contexto mais amplo de transformação, pois é a sociedade que está doente: “A vida ali estava a se oferecer toda, numa gratuidade milagrosa. Os homens viviam tão ofuscados por desejos ambiciosos que nem sequer davam por ela. Nem com todas as conquistas da inteligência tinham descoberto um meio de trabalhar menos e viver mais. Agitava-se na terra e não se conheciam uns aos outros, não se amavam como deviam”.

Para Érico Veríssimo, a medicina é, sobretudo, um ato de amor.

REFERÊNCIAS:
1.VERÍSSIMO, Érico. Olhai os lírios do campo. 32. ed. Porto Alegre: Globo, 1976
2.SCLIAR, Moacyr, "A Paixão Transformada", Companhia das letras, São Paulo,
1996


domingo, 22 de agosto de 2010

Candidatos à internação numa enfermaria casual - Luke Fields

O pintor e ilustrador inglês Sir Samuel Luke Fildes (1843 - 1927) sempre deixou transparecer sua preocupação com os pobres, motivo que o fez juntar-se, no ano de 1869, à equipe do Jornal The Graphic, uma revista semanal editada pelo reformador social William Thomas Luson. Fildes compartilhava com Thomas a crença no poder das imagens para mudar a opinião pública sobre temas como a pobreza e a injustiça. Ambos esperavam que a comoção da sociedade diante das ilustrações resultasse em atos de caridade e ação social coletiva. Sob esta perspectiva, Luke Fildes pintou “Candidatos à internação numa enfermaria casual”, quadro que expressa vividamente o sofrimento dos pobres:

Candidatos à Internação numa Enfermaria Casual, Luke Fields, 1874; Óleo sobre tela, 137 x 243cm; Royal Holloway College de Londres Unversity

Aqui, o problema da saúde é tratado através da representação de um elenco de personagens familiares organizados em fila na porta de uma enfermaria. Observamos uma mãe solteira, talvez viúva, com duas crianças com fome, o funcionário com deficiência, buscando apoio do Estado, o bêbado na cartola, as crianças esfarrapadas, dentre outros.

Ainda nos dias atuais, a imagem acima é amplamente utilizada em diversas fontes para ilustrar os problemas da saúde pública.

LEIA MAIS:
"O Doutor" - Samuel Luke Fildes

sábado, 21 de agosto de 2010

William Harvey demonstrando a circulação sanguínea ao rei Carlos I, da Inglaterra / Robert Hannah

"Sou obrigado a concluir que o sangue percorre sem cessar um circuito circular, que é função do coração propeli-lo através da pulsação, e que é esta a única razão para que o coração pulse." William Harvey

O medico britânico William Harvey (1578 – 1657) estudou na Itália, mais precisamente na cidade de Pádua, que à época abrigava a maior escola de anatomia do mundo. Durante seus estudos no exterior, ele descobre que o sangue sai do coração e segue através de um sistema de vasos fechados até a periferia do corpo e de lá retorna ao coração. Entende o médico que o coração, órgão que, acreditava-se ser a sede do amor e do afeto, é na verdade a bomba motora do sangue. William Harvey, descobre, assim, a circulação sanguínea. Ao regressar a Londres, Harvey é recebido em palácio pelo rei Carlos I.

Robert Hannah registrou esse momento no quadro intitulado: William Harvey demonstrando a circulação sanguínea ao rei Carlos I, da Inglaterra:


Na pintura, vamos o médico, com orgulho de súdito, segurando em sua mão esquerda um coração aberto e explicando ao rei como o sangue se movimenta através das quatro cavidades. Ao lado de Harvey está presente uma criança que, com ar admirado, não percebe que está presenciando uma das cenas mais marcantes da história da Medicina. O príncipe, que calado a tudo assistia, ao crescer não quis ser médico, apesar de ter sido testemunha ocular de um evento histórico. Preferiu ser advogado, tendo se destacado na história do Direito ao instituir no mundo jurídico o instrumento do habeas corpus. Após ser coroado rei, escolheu ser chamado de James II.

Na Literatura: Em 1628 William Harvey publicou sua obra clássica: Exercitatio anatômica de motu cordis et sanguinis in animalibus, livro em que explica como o sangue flui do ventrículo esquerdo do coração para a aorta, sendo, então, distribuído para todas as partes do corpo; o sangue venoso é transportado pelas veias para o ventrículo direito, e da artéria pulmonar para os pulmões, onde novamente se transforma em sangue arterial. Após passar pelas veias pulmonares, o sangue chega à aurícula esquerda e dali volta para o ventrículo esquerdo.

Outra excelente obra de Harvey foi publicada em 1651, De generatione animalium é de vital importância na história da embriologia, pois contém a teoria da “epigênese” segundo a qual o organismo não existe como uma entidade diminuta dentro do óvulo, mas se desenvolve gradualmente.

Harvey morreu em 1657, deixando para posteridade a marca de seu trabalho.

REFERÊNCIAS:
BEZERRA, Armando "Admirável mundo médico: a arte na história da medicina" - Brasília, 2002
MARGOTTA, Roberto "História Ilustrada da Medicina" Editora Manole - São Paulo, 1998

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Mente Artística de Virginia Apgar – Idealizadora da Escala de Apgar

Virginia Apgar, médica anestesiologista famosa por sua tremenda contribuição à neonatologia, também costumava tocar viola com reconhecida destreza. De sua mente criativa, impulsionada pela inclinação musical, brotou a idéia que revolucionaria a história da Medicina.

A violinista que criou os próprios instrumentos musicais

O interesse de Virginia pela música iniciou-se ainda na infância, provavelmente assistindo os concertos domiciliares promovidos pelo pai. Na vida adulta, já médica e cientista reconhecida, o apego à música era tanto que, conforme consta, ela sempre levava seus instrumentos às viagens científicas. Enquanto desbravava seu nome na história da medicina, Apgar tocou em três orquestras: Teaneck Symphony of New York, Amateur Music Players e Catgut Acoustical Society. A partir de um determinado momento de sua vida, a Dra. Virginia passou a construir seus próprios instrumentos musicais. Aparentemente simples, o violino moderno é composto por 70 peças independentes. Por essa razão, ou seja, dado a complexidade do engenho usualmente são necessários artesãos bem adestrados para a tarefa. Então, como uma médica anestesiologista – ocupadíssima em salvar recém-nascidos e devolvê-los ativos às mães – foi transformar-se numa fabricante de violinos? A história é a seguinte. Dentre suas pacientes, estava Carleen Hutchins, uma fabricante de instrumentos de cordas. Enquanto se recuperava da cirurgia, deitada num leito de hospital, Hutchins percebe, manuseando e percutindo uma espécie de concha onde se alojava o aparelho de telefone, que o material poderia muito bem transformar-se nas costas de uma viola. Hutchins dirige-se a sua médica, Virginia Apgar, e pergunta se ela poderia ter aquela concha. Virginia atenciosamente garantiu que logo consultaria a direção do hospital. Naturalmente, o hospital não permitiu a doação e, de pronto, uma das mulheres mais importantes da história da Medicina moderna e sua paciente arquitetaram um plano audacioso. Enquanto a primeira vigiava, a moribunda, armada com uma serra e uma barra, tratou de substituir a tão cobiçada concha por outra peça não muito diferente. O plano foi um sucesso! Se o gosto musical e a adversidade já uniam aquelas duas mulheres, agora um “golpe” as tornava cúmplices. A mistura entre atenção médica, música e crime fez surgir uma forte amizade entre médica e paciente. Nos anos que se seguiram, Apgar construiu uma viola, um violino, um mezzo violino e um violoncelo, tudo sob a orientação de Hutchins.

A criação da Escala de Apgar

Em 1952, Virginia fez sua maior intervenção na Pediatria, mais especificamente, na neonatologia. Graças a ela, sempre que uma criança nasce aplica-se um teste de vitalidade denominado Escala de Apgar. Freqüência cardíaca, esforço e frequência respiratória, reflexos, tônus muscular e cor da pele são os critérios aplicados ao rebento; Zero, 1 ou 2 pontos, são atribuídos, em ordem decrescente de gravidade, a cada um dos importantes parâmetros. Em função desses resultados um conjunto de cuidados especiais é imediatamente dispensado ao bebê. Antes deste teste, a atenção pós-parto era quase que totalmente dedicada às mães, advindo dessa prática altas taxas de mortalidade dos infantes. Esta brilhante idéia surgiu durante um café da manhã no hospital em que trabalhava, do qual participavam Virginia e um estudante de medicina. Por alguma razão desconhecida, o estudante chamou-lhe a atenção para a necessidade de se avaliar melhor as crianças que nasciam naquela instituição. Convencida, Virginia disse ao estudante: “Isto é fácil. Faça desta maneira.” Assim, tomando um pequeno pedaço de papel distribuído pelo refeitório com orientações sobre como carregar a própria bandeja, Virginia escreveu os critérios que definiriam afinal a consagrada Escala de Apgar. Os resultados superaram as expectativas dos membros do hospital, visto que o método reduziu drasticamente a mortalidade infantil. Hoje em dia, este é o primeiro teste a que se submete qualquer recém-nascido.

Em 1974, durante a cerimônia fúnebre de Apgar,o prof. Stanley James, ex-assistente da mestra, pronunciou as seguintes palavras: "Aprender, era o foco de sua vida. Sua curiosidade era insaciável... ela nunca estava satisfeita. Essa rara qualidade capacitou-a a seguir na vida sem que se deixasse enjaular pelos costumes ou tradiçoes". Sem dúvida alguma, o anseio por descobrir e fazer mais, sentimento que emoldurou a trajetória de Virginia Apgar, está firmemente alicerçado na curiosidade.

Os instrumentos construídos por Virginia hoje repousam na Universidade de Columbia, como um marco do zelo e carinho de Apgar pela inventividade artística e música erudita.

REFERÊNCIAS:
Souza, Álvaro N. – Grandes médicos e grandes artistas – nomes que deram vida, a medicina e as artes. – Salvador, BA, 2006.
Goodwin, JW. “A personal recollection of Virginia Apgar. L Obstet Gynaecolofy; 2002.